Espiritualidade

Espírito e Alma são duas palavras que, em suas origens, significavam ‘sopro’. Desde que a humanidade se deu conta de que podia pensar, o pensamento caminhou em duas direções. A concreta, que engloba tudo o que pode ser explicado através da Ciência, e a abstrata, que requer a crença em algo que não pode ser cientificamente demonstrado.

Através dos milênios, a evolução do conhecimento humano permitiu que muitas coisas pudessem migrar de uma categoria para outra. A Meteorologia, uma ciência, provou que a chuva e o trovão não eram prerrogativas dos deuses. A Astronomia revelou que o Sol e a Lua não eram manifestações de divindades, mas apenas corpos celestes compostos por matéria. Porém, por mais que tenha evoluído, a Ciência ainda está longe de eliminar todas as dúvidas existenciais da humanidade. E é aí que entra a espiritualidade: o sopro que ajuda a compreender o inexplicável.

Como, evidentemente, tudo o que não pode ser provado pode ter diferentes explicações, cada religião – palavra que derivou de ‘ligação’ entre o conhecido e o desconhecido – estabeleceu a sua própria doutrina. Doutrinas são normas que dependem basicamente de um fator chamado ‘fé’ – uma crença tão forte que permite dispensar a comprovação física.

Para poder sobreviver, uma religião precisa convencer seus seguidores de que eles necessitam de intermediários para obter os benefícios da espiritualidade. Esses intermediários se distribuem através de uma hierarquia – palavra que significa ‘sagrado’ – cujo objetivo é transmitir os ensinamentos, praticar os rituais, preservar as tradições, atrair mais adeptos e, via de regra, cobrar para executar essa missão. Assim, católicos, espíritas, budistas, esotéricos e fundamentalistas islâmicos têm uma coisa em comum: todos são espiritualistas. Mas espiritualidade, em sua forma mais pura, continua a ser o sopro que existe dentro de cada pessoa, independente do fato de ela ter ou não ter optado por qualquer culto, seita, doutrina ou religião – e até mesmo de ela se recusar a admitir sua espiritualidade.

É esse sopro, usado de forma positiva, que muitas empresas estão tentando resgatar, fazer florescer e transformar em coisas práticas. Como um ambiente de trabalho saudável, uma cooperação mais estreita, uma atitude menos egoísta e mais ecumênica. E como se consegue isso? Através de palestras, debates, sessões de relaxamento e da construção de locais específicos para a meditação individual. Onde paz, silêncio, luz difusa e ausência de símbolos religiosos possam colocar a pessoa em contato com sua porção espiritual.

E por que as empresas estão fazendo isso? Para compensar a pressão, cada vez maior, que vem sendo colocada sobre seus funcionários. Quem acredita que está na empresa só para receber o pagamento no fim do mês, cedo ou tarde acaba sucumbindo a uma descarga de estresse. E quem acredita que há mais coisas nesta vida, além da vã filosofia salarial, tem mais chances de se tornar uma pessoa melhor. A vantagem dessa postura das empresas, mesmo para quem não leva lá muita fé nas nobres motivações dos empresários, é que tudo isso, mesmo que não venha a fazer algum bem, mal certamente não fará.